02 Novembro 2009

Ronei Jorge & Os ladrões de bicicleta


O Cd Frascos comprimidos compressas, da banda Ronei Jorge & os Ladrões de Bicicleta começa com apenas uma guitarra fazendo a batida do gênero que, com algumas exceções, estará presente ao longo de todo o disco: o samba. Depois entra a voz de Ronei, canta uma estrofe inteira e, em seguida, ouve-se a massa sonora, composta pelo baixo, bateria e guitarras da canção Nêga, palavra bem comum que se usa na Bahia pra demonstrar afeto. E afeto é o que não falta: dilacerado, intenso, destilado nas canções sempre curtas, de poucas metáforas que, por isso mesmo, quando aparecem, chamam a atenção, como o "carrossel de luz", ainda de Nêga.


Eu poderia dizer que Ronei Jorge & os Ladrões de Bicicleta, banda do cenário de rock da Bahia, lançou um grande disco por várias razões: a integração entre Ronei (voz e violão), Edinho (guitarra e teclados), Pedrão (bateria) e Sérgio (baixo) está no seu melhor, após cinco anos juntos, e sem as passagens instrumentais mais longas do primeiro Cd; as canções estão azeitadas e Ronei - que divide a autoria com Edinho apenas em Circule seu sangue - se aventurou até a sair um pouco do seu modo de compor, sem que, com isso, tenha prejudicado sua assinatura artística; a produção de Pedro Sá, que também produziu os dois últimos discos de Caetano, e apostou na simplicidade ao fazer um disco só com os integrantes do grupo mais o guitarrista Juninho Costa e a voz discreta de Lia Lordelo.


No entanto, há algo que não tem como se explicitar, mesmo sabendo que tudo que se disse acima contribuiu para o resultado final: a música simplesmente se dá, e toda palavra é insuficiente pra dar conta da "mágica querendo ser prece".


E quem diria que tudo começou em 1982, quando a criança de oito anos disse ao pai que queria ouvir rock & roll. Este, pouco afeito ao gênero, mas louco pra agradar o filho, foi a uma loja, pediu ao vendedor discos de rock, e este lhe indicou Lp's do Van Hallen, Kiss e Black Sabath, que botou medo no menino, mas os outros dois o conquistaram para o rock, em particular, e à canção popular, no geral. Daí para ouvir Roberto Carlos, Caetano e Walter Franco, além das bandas pós-punks, foi um longo caminho. O passo seguinte consistiu em fazer parte de bandas de rock numa Salvador marcada pelo nascente mercado da música de carnaval.


O encontro com os outros "ladrões" começou a partir de uma vontade do baterista Pedrão - curtidor, sem hierarquizações, da Jovem Guarda, do jazz e rock progressivo - de tocar as músicas de Ronei. Pedrão chamou Edinho, também das hostes jazzísticas, e Sérgio apareceu como o elemento que faltava, mais ligado ao pop.


Lembro da primeira apresentação deles numa praça de shopping em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, quando conquistaram a platéia, tocando Me deixa em paz, de Monsueto e Arnaldo Passos. Daí em diante, um público jovem começou a se amarrar na banda, espécies de emos sem as típicas roupas e penteados: os Ladrões de Bicicleta são emos por dentro, já que as canções versam sempre sobre amor e paixão, necessários para dar gosto e sentido à vida. E Ronei arremata me dizendo que amor é assim mesmo, rende assunto, tem muito que se falar.


Me detenho em Quem vem lá, cujos versos "vou ter de fazer de conta que sou alguém" e "quem vem lá que eu não conheço (...) sou eu" surpreendem por assumir fraturas no ego e conflitos de identidade, emblemáticos de uma geração - todos estão na casa dos trinta - que tem acesso a tanto e a tudo, mas busca seu próprio caminho. Nessa busca, as canções e os arranjos têm um nível de imprevisibilidade provocadores, a gente fica se perguntando pra onde irá esta ou aquela melodia, ou como o ritmo se resolverá em determinado trecho. Os "ladrões" estão também adequando, como nunca, à exuberância instrumental com o que pedem as canções. Ninguém brilha insistentemente só, o grupo é coeso e o som, vigoroso.


Na capa do disco, todos estão de costas e apenas Ronei vira o rosto timidamente, mas mostra a cara sem medo, sorriso mais no olhar que nos lábios, na primeira página do encarte. E ele é assim no bate-papo, no bate-bola, discreto que, no entanto, não hesita quando instado a mostrar talento. A programação visual, da turma da Santo Design, e as fotos de Hirosuke Kitamura, estão uma beleza: detalhes de interiores - portas, janelas, chuveiros etc. - de dentro de um apartamento, recendendo a intimidade, como são as canções todas, que tematizam o interior das casas e das pessoas.


Tudo, enfim, passa pela esfera das relações pessoais, até a tensão entre os roqueiros baianos e a música de carnaval em Aquela dança, definida na ambiguidade dos versos : "o seu caminho é o carnaval/ o meu não, é um só (sol)". Sol da Bahia, música do Brasil, samba do rock, a música nua e orgânica de Ronei Jorge & os Ladrões de Bicicleta festeja a intensidade da vida entre frascos, comprimidos, compressas e beijos doces, sabida que eu nem sei, ninguém sabe nem nunca saberá, basta ouvir.

Paquito é músico e produtor.


Lista das Músicas:

01 Voce sabe dessas coisas - Nega
02 Quem vem la
03 A respeito do sono
04 Vidinha
05 Frascos, comprimidos e compressas
06 Tao sabida que eu nem sei
07 Azucrim
08 Aquela Danca
09 Tanto fez, tanto faz
10 O voce dizendo
11 Sonhando com o verao
12 Circule seu sangue
13 Esta na cara
14 Tao forte

post retirado do blog amigo :Som Barato


endereço para baixar o album : http://www.roneijorgeeosladroesdebicicleta.com/





1 comentários:

Anônimo disse...

說起這位明英宗朱祁鎮 真是好有一比:在北京高峰時酒店經紀段開車:生不完的氣。

先說年號問題,明朝皇帝在位時間再長, 酒店兼差年號也只有一個,惟獨他特殊,在位總共不過十五年,年號卻有兩個,前一個叫正統,後一個叫天順。倒不是因為他非要搞特權,兩個年號之間, 禮服店是由一大堆可氣的事串起來的。

先說正統朝,差不多是地球酒店打工人都知道的,這麼多的忠良幹才他不信任,偏寵信一個教書先生出身的太監王振, 一幹閹党把國家禍害得烏煙瘴氣。後來瓦剌犯邊,忠臣良將的苦勸不聽,偏聽死太監攛掇,非要御駕親徵, 合法酒店經紀帶著幾十萬人牛氣哄哄出了長城,按說既然親徵你就好好 打啊,他不,走到半道又後悔了,連敵人影 酒店工作都沒見著就撤兵,撤兵麼撤得快點啊,跑還沒跑成,讓人家圍在土木堡包了餃子,稀裏糊塗一場 酒店上班混戰,幾十萬大軍全死 光,連本人也當了俘虜。丟人到如此,實在可氣。

英宗被抓到蒙古高原上去啃生羊肉了, 酒店兼職爛賬總要有人收拾。皇帝讓人綁了,敵人打到家門口了,總不成學宋朝 來個衣冠南渡吧!還好喝酒 有他親弟弟給他收拾,弟弟朱祁鈺繼承帝位,改年號為景泰,可氣的正統朝總算結束了。景泰帝信用 酒店PT良臣于謙,成功組織北京保衛戰打垮敵 人,再運用外交壓力,逼得酒店喝酒 瓦剌把英宗放回來當太上皇,總算不用學宋徽宗那樣客死他鄉。折騰半天,祖宗江山差點丟了不說 禮服酒店,皇位也折騰沒了。這樣的鬧劇,怪不 得別人。

雖是傻事敗事一籮筐,但傻人總算有傻福,雖說皇位沒了, 台北酒店經紀命還是保住了,回來舒舒服服過太上皇的日子倒也 不交際應酬 錯,可他不消停,拉幫結派培植私人勢力,幾年後趁著弟弟病重搞了場“奪門之變”。奪粉味 回了皇位不說,上臺第一件事就是殺掉了功臣于謙。並把當初北京保衛戰 的功臣們來了個大清洗,掌握朝政大權的都是徐有貞、石亨、曹吉祥等一幫姦險小人。雖然過了沒幾年,這幾個人也被明英宗清算,下獄的下獄(石亨),充軍的充 軍(徐有貞) 寒假打工,被殺的被殺(曹吉祥),可明朝的政治氣象,還是一片烏煙瘴氣。

皇位奪回來了,自然就要改年號。於是,明英宗 兼差改年號為天順。從正統年到天順年,打敗仗,殺忠良,寵小人,亂國家,儘是他辦的敗事,每每讀史到此,不知有多少人氣得直哆嗦。

可正統朝的事畢竟年頭遠了,真正給後 暑假打工世攢下麻煩的,是天順朝。

“天順”麼,按字面意思,自然有風調雨順的意思。 打工從這個意義上說,“天順”朝時代的明朝,運氣還真不 壞,別的且不說,單說綁過明英宗票的瓦剌,那在土木堡創下擊敗明朝幾十萬大軍,活捉明朝皇帝偉業的瓦剌首領也先,沒死在大對頭明朝手裏,倒在內戰中被一刀 砍死。到了天順朝時期,瓦剌又和鄰居韃靼打個不停,因此,雖然少了良將於謙,但終天順一朝的邊 酒店境形勢,還算是太平無事。